terça-feira, 1 de novembro de 2011

De onde vêm as lendas da redação?

Resolvi criar este blog enquanto pesquisava na internet sobre a redação do Enem. Notei que muitas pessoas faziam as mesmas perguntas e que as respostas, de forma geral, eram muito vagas, quando não totalmente equivocadas. Enquanto lia diversas listas de dicas com títulos do tipo “como fazer uma redação nota 10” e “os 12 erros mais comuns que acabam com uma redação”, percebi que esse tipo de lista, embora não seja muito útil para orientar um estudante, representa bem a visão que a maioria das pessoas tem sobre a redação. Também comecei a me lembrar das inúmeras vezes em que meus alunos citaram lendas, especialmente sobre redação em vestibulares, que os acompanharam por toda a vida escolar. Questões do tipo:
— é verdade que o tema da redação era “O Relógio”, o cara escreveu “tic-tac, tic-tac, tic-tac” e tirou dez?
— é verdade que se escrever com letra de forma vai zerar a redação?
— pode começar o texto com “atualmente”?
Esse tipo de dúvida sempre me incomodou. Não por causa do aluno, claro, que tem todo direito de perguntar e faz muito bem em esclarecer se o que ouviu falar é verdade. Mas eu me perguntava: “de onde vêm todas essas histórias?”; “por que tanta gente se importa com detalhes sem importância?”. Fiquei pensando nisso durante boa parte da minha carreira docente e cheguei a algumas conclusões, que vou explicar melhor a seguir. Mas, resumidamente, a situação é a seguinte:
1 — escrever boas redações é um processo longo e trabalhoso, mas muitas pessoas querem dicas que ocupem menos de uma página e acreditam que é possível aprender a escrever bem em dez minutos;
2 — o papel aceita qualquer coisa, a internet também: muitas dicas publicadas na internet foram escritas por pessoas que não têm contato com a redação e apenas reproduzem ideias ouvidas 'por aí';
3 — muitos professores abusam da subjetividade: como não há regras bem estabelecidas sobre o que é um bom texto, muitos professores escolhem critérios de correção baseados apenas no seu gosto pessoal e os passam aos alunos como se fossem a verdade absoluta.
Nos próximos posts, vou comentar detalhadamente cada um desses fatores. Até breve.

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